A incerteza quando à instalação do comando nacional da Unidade de Emergência, Proteção e Socorro (UEPS) da GNR na Guarda – e as declarações do ministro da Administração Interna, segundo o qual a autarquia ainda não disponibilizou um edifício – levou Carlos Chaves Monteiro a criticar a atuação do executivo liderado pelo independente Sérgio Costa nesta matéria.
«Foi preocupante o que ouvimos no Dia da Unidade do Comando Territorial da GNR da Guarda, onde o ministro disse que assim que houver instalações na Guarda virão 150 homens de Coimbra», disse o vereador social-democrata no final da reunião quinzenal do executivo, acrescentando, com ironia, que «o PSD não se contenta com a vinda do estandarte para a cidade, tal como se regozijou o presidente neste primeiro ano de mandato». Confrontado por O INTERIOR, o eleito da oposição disse que o seu executivo «não perdeu um minuto» neste dossier e que tinha «o projeto a ser desenvolvido» para adaptar as instalações do IMTT, na Avenida Francisco Sá Carneiro. «Não fizemos mais porque precisávamos saber das necessidades da UEPS em termos de camaratas, gabinetes, etc. Era matéria que os técnicos da Câmara estavam a tratar com os técnicos da GNR», assegurou antigo presidente do município.
Agora, passado mais de um ano sobre a tomada de posse de Sérgio Costa, Chaves Monteiro admitiu ter ficado «surpreendido» pelas declarações de José Luís Carneiro, que disse serem reveladoras que a GNR e o Ministério da Administração Interna «não sabem qual é o local para instalar a UEPS». O social-democrata estranha o sucedido, garantindo que a tutela tinha «dado aval» às instalações da antiga Direção de Estradas: «Não havia obstáculo nenhum, até a secretaria de Estado da Ação Social saiu daquele espaço. Nós agimos de forma rápida e consistente com o nosso objetivo, ao contrário do atual presidente. É um retrocesso claro. Para este executivo tudo o que vem de trás é para deitar abaixo, não fazer, e quem perde é a Guarda», criticou.
Sérgio Costa respondeu com o recapitular dos acontecimentos desde que chegou à Câmara. «Este foi mais um dossier que não foi passado a este executivo», afirmou, recordando que a 30 de novembro o estandarte nacional chegou à Guarda e no dia 3 de dezembro o ministro Eduardo Cabrita demitiu-se do Governo, que pouco depois “caiu” com a dissolução da Assembleia da República. «Houve legislativas a 30 de janeiro de 2022, o novo Governo tomou posse em março, o orçamento foi aprovado em junho. Em janeiro deste ano enviámos uma carta à ministra da Administração Interna de então, Francisca Van Dunem, que ficou sem resposta. Em maio voltamos a enviar outra carta ao atual ministro, que também ficou sem resposta. Fomos recebidos pelo ministro no final de setembro, houve uma visita de alguns membros da GNR à Guarda já em outubro e neste momento estamos num diálogo franco e aberto com o Comando-Geral da GNR para se poder encontrar uma solução de curto prazo, seja ela qual for, para que acolher a UEPS», enumerou o presidente da Câmara.
«Este foi o caminho do último ano», sublinhou, criticando «alguns pasquins», aos quais, na opinião de Sérgio Costa, «o que interessa é falar mal de alguma coisa». Quanto às críticas de Chaves Monteiro, o autarca contrapôs que «não havia nada assinado no mandato anterior, o que havia era uma intenção de fazer um projeto, que estava adjudicado mas não o fizemos enquanto não houvesse, preto no branco, a intenção da UEPS vir efetivamente para a Guarda». Segundo o presidente da Câmara, «não íamos gastar 70 mil euros num projeto sem haver assinatura governamental de que a UEPS vem para a Guarda». Mas há agora outro problema, o do Governo «não querer gastar um cêntimo» com a vinda deste Comando para a cidade. «O Estado já gastou mais de um milhão de euros em Coimbra com a UEPS», alertou Sérgio Costa, declarando que «mais do que isto não devo dizer por agora».